TRATAMENTO DA EPÍFORA CRÔNICA
ATRAVÉS DA DACRIOCISTORRINOSTOMIA
TREATMENT
OF THE CHRONIC EPIPHORA USING DACRYOCYSTORHINOSTOMY KLEINER, J.A.; WOUK, A.F.
Artigo publicado
revista MedVep no 1, v.1 – Jan 2003
Resumo: A epífora
é uma patologia ocular de ocorrência muito comum
na clínica veterinária e pode ser caracterizada
por um extravasamento do filme lacrimal pela região
subocular, causando conjuntivites recorrentes, dermatites,
fistulações e mancha suboculares importantes.
A epífora pode ser causada por anomalias congênitas
ou adquiridas as quais provocam um estreitamento ou obstrução
em algum nível do sistema excretor lacrimal. O presente
trabalho tem como objetivo relatar os procedimentos utilizados
na cirurgia de dacriocistorinostomia para o tratamento da
epífora crônica em animais de companhia.
Palavras-chave: epífora, cirurgia,
dacriocistorinostomia.
Abstract: Epiphora is
an ocular pathology very frequent in the veterinary practice
and it can be characterized by an overflow of the preocular
film on the medial cantus of the eye causing recurrent conjunctivitis,
dermatitis, fistulae, and hair staining. The epiphora can
be caused by congenital or acquired anomalies, which promote
a stricture or obstruction in any level of the lacrimal excretor
apparatus. The present article has the objective of describing
the procedures utilized on the dacryocystorhinostomy for the
treatment of chronic epiphora in small animals.
Keywords: epiphora, surgery, dacryocystorhinostomy.
As desordens do sistema nasolacrimal
em pequenos animais podem ser classificadas como congênitas
(defeito de desenvolvimento) e adquiridas (inflamação,
infecção ou trauma), mais comumente causando
obstrução (WILLIAMS et al. 1998). Dentre as
congênitas, destaca-se a aplasia do ponto (“puncta”)
lacrimal e ponto ectópico (RAMSEY, 2000), micropuncta,
atresia canalicular, dilatação cística
do saco lacrimal e dos canalículos lacrimais, tortuosidade
dos canalículos em cães e gatos braquicefálicos
e entrópio de canto medial em raças miniaturas
de cães com presença de pêlos na região
da carúncula (GELLAT, 1991; WYMAN, 1986). Entre as
causas adquiridas salientam-se traumas (lacerações),
oclusões causadas por corpo estranho ou neoplasias,
infecções como conjuntivites herpéticas
em gatos portadores de rinotraqueíte viral severa,
resultando em dacriocistites e simbléfaro (BARNETT,
1984).
As manifestações clínicas
associadas com afecções do sistema lacrimal
incluem epífora, secreção conjuntival
mucopurulenta, fistulas nasofaciais e oronasais, edema com
hiperemia da região do canto ventro-medial, manchas
pronunciadas suboculares causadas pelas lactoferrinas do filme
lacrimal e tumorações da face e região
nasal ( GELATT, 1998).
A epífora pode ser definida como
o extravasamento da lágrima para fora do olho devido
a um estreitamento ou obstrução em algum nível
do sistema excretor; já o lacrimejamento é a
produção excessiva de lágrima desencadeada
por um estímulo psicológico (apenas no homem)
ou irritativo dos olhos como nos casos de inflamação,
conjuntivites, anomalias palpebrais (entrópio, ectrópio,
triquíases), glaucoma e irites (NEWTON, 2000).
O presente trabalho tem como objetivo
demonstrar os procedimentos utilizados na dacriocistorinostomia
para o tratamento dos casos de epífora crônica
nos animais de companhia.
Procedimento cirúrgico:
Após o paciente ser preparado
para cirurgia asséptica, este é anestesiado
e posicionado em decúbito lateral com elevação
da cabeça. Inicia-se a incisão de pele e subcutâneo
aproximadamente 1,5 cm obliquamente ao canto nasal ventral
ocular e paralelamente ao plano nasal e com uma extensão
de 2,5 a 3 cm de comprimento. Após a dissecção
romba das fibras musculares e angiotripsia dos vasos sanguíneos
presentes, tem-se acesso ao osso nasal, cujo periósteo
é rebatido utilizando-se elevador periostal. Com a
utilização de uma broca de 3 mm faz-se um orifício
no osso nasal para obtermos acesso a cavidade nasal. Hemorragias
em lençol podem ser controladas com auxílio
de epinefrina diluída em solução fisiológica.
A puncta inferior do sistema de drenagem lacrimal ipsilateral
é preparada para canulação com auxílio
de um dilatador de puncta lacrimal. O dilatador é avançado
por sob as fibras musculares até a incisão na
região do osso nasal. A cânula utilizada deve
ser previamente preparada e adequada ao porte do paciente
a ser operado. No caso de um cão de médio porte
pode-se utilizar uma sonda uretral no 6 ou 8 com um comprimento
de aproximadamente 8 cm e com uma das extremidades evertidas
através de uma chama para que esta se torne auto-contensiva.
Após feita a medição da cânula,
esta é avançada em direção ao
osso nasal perfurado e ganhando acesso à cavidade nasal.
É importante deixar apenas 1 a 2 cm da sonda na cavidade
para evitar-se uma irritação da mucosa nasal.
Para a síntese da pele utiliza-se
fio inabsorvível sintético e pontos interrompidos
simples envolvendo pele, subcutâneo e parte das fibras
musculares. No pós-operatório utiliza-se um
colírio de antibiótico de amplo espectro, colírio
de corticóide tópico por 10 dias e antibioticoterapia
sistêmica durante 7 dias. A retirada da sonda utilizada
no procedimento é feita após 30 a 35 dias do
procedimento. A patência do novo trajeto de drenagem
lacrimal pode ser avaliado através da instilação
tópica de fluoresceína no olho operado e sua
posterior visualização no assoalho da narina
ipsilateral.
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| Figura 1: Secreção
ocular mucoíde em um cão portador de epífora
crônica. |
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| Figura 2: Preparação
do campo cirúrgico com PVPI tópico. |
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| Figura 3: Incisão
de pele e subcutâneo. |
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| Figura 4: Dissecção
romba das fibras musculares. Nota-se osso nasal exposto. |
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| Figura 5: Perfuração
do osso nasal utilizando-se uma broca no3. |
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| Figura 6: Preparação
da tunelização através da puncta
inferior utilizando-se um dilatador de puncta lacrimal. |
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| Figura 7: Medição
da cânula a ser implantada. |
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| Figura 8: Aspecto
final da cânula implantada do fundo de saco conjuntival
até a cavidade nasal. |
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| Figura 9: Aspecto
final da cirurgia após dermorrafia. |
Referências Bibliográficas:
1) BARNETT, K.C. : The Wet Eye.
The Veterinary Annual. Scientechnica, Bristol.
24o ed. 1984.
2) GELATT, KIRK N.: Veterinary
Ophthalmology. 3o ed. Lippincott Willians & Wilkins,1998.
3) HELPER, LLOYD C. : Diseases
and Surgery of the Lids and Lacrimal Apparatus. Magrane’s
Canine Ophthalmology.
4o ed. Lea & Febiger, p. 86-88, 1989.
4) Magrane Basic Science
Course in Ophthalmology. University of Wisconsin
– Madison. Course Notes , 1998.
5) NEWTON, K.J. et al. : Atualidades
em Oftalmologia . Vol II . Roca, 2000.
6) RAMSEY, DAVID T. et al. : Veterinary
Ophthalmology (lecture notes). 5o ed. Michigan State
University, 2000.
7) SLATTER, DOUGLAS. : The
Lacrimal System. Textbook of Small Animal Surgery.
2o ed. W.B. Saunders, vol.2 ,1985 e p. 1184-1194, 1996.
8) WYMAN, M. : The Lacrimal Apparatus.
Manual of Small Animal Ophthalmology. Churchill
Livingstone, New York, 1986.
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