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DIABETE MELITO
Agradecimentos ao colega e amigo Dr. Ricardo Magri de
Souza Moreira MV pela colaboração, incentivo e amizade ímpar
ao longo desses anos todos!
CLASSIFICAÇÃO E ETIOLOGIA:
Diabete melito (DM) é classificado como Tipo I e Tipo
II, levando em consideração o mecanismo fisiopatológico
e alterações patogênicas que afetam as ilhotas de Langerhans,
especialmente as células betas, responsáveis pela secreção
de insulina. O DM Tipo I, caracteriza-se pela destruição de células
beta, com perda progressiva e eventualmente completa da secreção
de insulina. É comum nos casos de DM Tipo I os cães e gatos apresentarem
os sinais da doença de forma súbita, em conseqüência
a rápida queda na secreção de insulina. Pode também
sofrer uma queda gradual na secreção de insulina, à medida
que as células beta vão sendo destruídas. Esses animais
podem apresentar um período inicial em que a hiperglicemia pode ser branda,
ou facilmente controlada com pequenas doses de insulina (DMNDI – diabete melito
não dependente de insulina) podendo com o passar do tempo, a dependência
de insulina (DMDI – diabete melito dependente de insulina). O DM Tipo II caracteriza-se
pela resistência e/ou células betas disfuncionais. A secreção
de insulina pode estar elevada, baixa ou normal, mas é insuficiente para
superar a resistência dos tecidos periféricos. A secreção
de insulina evita a ocorrência de cetoacidose na maioria do paciente com
DM Tipo II. Os diabéticos Tipo II podem ser tanto DMDI com DMNDI.
O Diabete melito secundário envolve cães e gatos
diabéticos que desenvolvem intolerância aos carboidratos em conseqüência
à afecção resistente a insulina concomitante. Os exemplos
são cadelas em diestro, hiperadrenocorticismo e acromegalia.
Diabete Melito Dependente de Insulina (DMDI)
É a forma de diabete melito identificada com maior
freqüência em cães e gatos. O DMDI caracteriza-se por hipoinsulinemia,
pela virtual ausência de qualquer aumento na concentração
sérica em seguida a administração de secretagogo da insulina
(ex. glicose e glucagon), pela tentativa fracassada de estabelecimento da glicemia
através de dietas ou medicamentos orais, pela necessidade absoluta de
insulina exógena para a manutenção do controle glicêmico.
Sua etiologia é multifatorial. Já foram sugeridas
predisposições genéticas, devido a cruzamentos entre cães
com algum grau de parentesco. Em alguns casos pode ocorrer uma forma de extrema
herança representada pela ausência de desenvolvimento de células
beta. Porem a destruição imunomediada das ilhotas é considerada
um fator importante no desenvolvimento de DMDI em seres humanos sendo evidenciando
por 50 % dos seres humanos com DMDI apresentam anticorpo contra células
β (beta), da classe IgG. Esse anticorpo foi encontrado em alguns cães
com DMDI. Aparentemente mecanismos auto-imunes juntamente com fatores ambientais
podem desempenhar um papel fundamental na iniciação e possivelmente
da doença em cães. Em 30 a 40 % dos cães diabéticos
possuem pancreatite histopatologicamente identificável.
Diabete Melito Não Dependente de Insulina (DMNDI)
A necessidade de insulina aumenta e diminui em aproximadamente
20 % dos gatos diabéticos. Alguns gatos diabéticos talvez nunca
necessitem de insulinoterapia. Outro gato torna-se permanentemente dependente
de insulina semanas ou meses após a resolução do estado
de diabete.
A identificação clinica
do DMNDI em cães é rara.
DIAGNÓSTICO DE DMDI
versus DMNDI:
Geralmente não é comum cães e gatos serem
levados ao medico veterinário, senão ao serem observados os sinais
clínicos. Em função disto, todos os animais diabéticos
apresentam hiperglicemia em jejum e glicosúria, independente do tipo
de diabete melito que ele estiver presente. Assim que tenha o diagnostico estabelecido
de diabete melito, devem levar em consideração a possibilidade
de DMNDI e a necessidade de insulinoterapia. Os cães devem ser considerados
Dependentes de Insulina, devendo ser tratado com insulina a menos que tenha
forte suspeita de Diabete Melito Secundário.
Devido à incidência
relativamente alta de DMNDI e diabete temporário
levanta questões sobre a necessidade de insulinoterapia.
Devido aos problemas na identificação
entre DMNDI e DMDI laboratorialmente, a diferenciação
é feita através da avaliação
da resposta do paciente ao tratamento, determinando
também a quantidade de insulina necessária.
FISIOPATOLOGIA:
Diabete Melito Não-cetoacidótico. A deficiência
relativa ou absoluta de insulina resulta em uma diminuição da
utilização da glicose, aminoácidos e ácidos graxos
pelos tecidos periféricos. A medida em que aumenta a concentração
plasmática da glicose, ultrapassa 100 a 200 mg/dl no cão. Em gatos
o limiar renal não é tão evidente. Acredita-se que em gatos
normais seja de 290 mg/dl e em gatos diabéticos é de aproximadamente
200 a 240 mg/dl. A glicosúria cria diurese osmótica, causando
poliúria. A glicosúria representa perda calórica, conseqüentemente
perda de peso.
Por razão do centro da saciedade no hipotálamo
ser sensível a glicose, ou seja, quanto mais glicose chega até
estas células do hipotálamo, menor é a sensação
de fome e maior a inibição do cento da saciedade. Animais com
diabete melito tornam-se polifágicos em função da presença
de hiperglicemia. Portanto os quatro sinais básicos do diabete melito
são: poliúria, polifagia, polidipsia e perda de peso.
Diabete Melito Cetoacidótico. A cetoacidose é
causada por um aumento na cetogênese e na gliconeogênese
acumulando conseqüentemente corpos cetônicos
( ácido acetoacético ) através
da descarboxilação espontânea
do acetoacetato.
SINAIS BÁSICOS:
Cães com diabete melito geralmente estão na
faixa etária entre quatro e 16 anos, com maior
incidência entre 7 a 9 anos. As fêmeas
são afetadas aproximadamente duas vezes mais
que os machos. Raças mais predispostas são
Poodles Daschunds, Schnauzer miniatura e Beagles.
ESTABELICIMENTO DO DIAGNOSTICO:
O diagnóstico de diabete melito depende da presença
dos sinais clínicos característicos, como poliúria, polidipsia,
polifagia, perda de peso e a detecção da hiperglicemia de jejum
e glicosúria persistente através de tiras de teste apropriadas
para sangue e urina.
É preciso ter cuidado com a medição da
glicemia em gatos quando em situações
de stress. Nesses animais a glicemia pode chegar a
300-400 mg/dl.
TRATAMENTO:
Diabético Cetoacidótico Enfermo: As metas no
tratamento do paciente gravemente enfermos consiste
no fornecimento de quantidades adequadas de insulina
para a normalização do metabolismo,
restauração das perdas de água
e eletrólitos, correção da acidose.
Se todos os parâmetros anormais puderem ser
lentamente retornados a normalidade (ao longo do período
de 36-48 h) terá maior chance de êxito
no tratamento.
Fluidoterapia
A reposição e manutenção do equilíbrio
dos líquidos são medidas importantes para garantir o debito cardíaco
e o fluxo sanguíneo a todos os tecidos. A melhora do fluxo sanguíneo
renal é muito importante. Além dos aspectos benéficos gerais
da fluidoterapia em qualquer paciente desidratado, ela ajuda a reduzir a concentração
plasmática de glicose no paciente com cetocidose, mesmo que não
seja administrada insulina.
O tipo de liquido, inicialmente
utilizado dependera do quadro eletrolítico,
da glicemia e da osmolaridade. Geralmente o liquido
inicialmente escolhido é o cloreto de sódio
a 0,9 % com suplementação de potássio.
Apenas se a osmolaridade é > 350 mOsm/Kg,
deve-se usar líquidos hipotônicos como
solução salina 0,45 %.
Insulinoterapia
A quantidade de insulina necessária para cada animal
é difícil estabelecer. Por isso deve-se utilizar insulina com
rápido inicio de ação e curta duração do
seu efeito para que possam ser realizados reajustes na dose e na freqüência.
A insulina cristalina regular de rápida é indicada, principalmente
para animais com cetoacidose.
Os protocolos de insulinoterapia para o tratamento de cetoacidose
são a técnica IM intermitente, técnica de infusão
continua IV a doses baixas e injeção IM inicial seguida por técnica
SC intermitente. A técnica que tem melhor resultado e a IM intermitente.
A técnica consiste, para cães e gatos com cetoacidose grave, a
administração de uma carga inicial de 0,2 U/Kg, seguida de 0,1
U/Kg a cada hora. A insulina deve ser administrada nos membros pélvicos,
especialmente IM. A diluição da insulina é de 1:10.
Usando este regime de insulinoterapia, a concentração
sérica de insulina será mantida em 100 um/mL, onde irá
inibir a cetogênese, gliconeogênese, glicogenólise e promoverá
o metabolismo da glicose e dos corpos cetônicos. A glicemia deve ser medida
a cada 1-2 horas.
O objetivo da insulinoterapia consiste na redução
lenta da glicemia de 200-250 mg/dl, de preferência
ao longo de 8-10 horas. Assim que a glicemia chegar
abaixo de 250 mg/dl, deverá suspender a insulina,
e então administrar insulina a cada 4-6 horas
por via IM ou se o estado de hidratação
do animal for bom, por via SC a cada 6-8 horas. Insulinas
de ação mais prolongada não deve
ser iniciada até que o animal se encontre estável,
comendo, não vomitando e mantendo o equilíbrio
dos eletrólitos sem infusão intravenosa
e não mais acidótico ou azotemico. A
dose inicial destas insulinas são as mesmas
das insulinas de curta duração e os
ajustes devem tomar por base a determinação
das concentrações glicêmicas.
Tratamento do Diabético Não-cetósico
A meta principal é na eliminação dos
sinais ocorrentes secundariamente a hiperglicemia e glicosúria. Esse
objetivo pode ser conseguido através de administração adequada
de insulina, dietas especiais, etc.
Ao normalizar a concentração
glicêmica, deve-se tomar cuidados com hipoglicemia,
que tem maior probabilidade de ocorrer em casos de
insulinoterapia excessivamente zelosa.
COMPLICACÕES CRÔNICAS
DO DIABETE MELITO:
- Catarata
- Retinopatia Diabética
- Neuropatia Diabética
- Nefropatia Diabética
DIABETE INSIPIDUS
CLASSIFICAÇÃO
E ETIOLOGIA: O diabete insipidus (DI) é
um distúrbio do metabolismo da água
caracterizada por poliúria/polidpsia, urina
de baixa densidade especifica ou osmolaridade ( chamada
de urina insípida ). É causada pela
secreção ou síntese defeituosa
de ADH ou pela incapacidade dos túbulos renais
responderem a este hormônio, podendo ser parcial
ou completo.
O diabete insipidus central se se
caracteriza pela carência absoluta ou relativa de ADH circulante, podendo
ser classificado como primário (idiopático congênito), ou
secundário. As formas idiopáticas são as mais comuns em
medicina veterinária, enquanto que a forma congênita é raramente
observada. Geralmente o DI central secundário resulta de traumatismos
cranianos ou neoplasias.
O DI nefrogênico
se caracteriza-se por resistência dos túbulos
renais as reações do ADH. As causas
de DI nefrogênico secundário ou adquirido,
tanto completo como parcial envolvem uma serie de
distúrbios renais metabólicos, entre
ele, pielonefrite, insuficiência renal crônica,
hipertiroidismo, etc.
Algumas vezes a excessiva ingestão
de água é classificada como DI, ou ainda problemas comportamentais
como polidpsia psicogênica ou ingestão compulsiva de água.
ASPECTOS CLÍNICOS:
O diabete insipidus central pode
surgir em qualquer raça ou sexo. O DI nefrogênico primário
tende a ser um raro defeito congênito, porem é diagnosticada em
animais jovens.
Os sinais
clínicos e o histórico que o proprietário
relata dizem respeito às queixas de poliúria
e polidipsia. A sede insaciável força
esse animal a beber qualquer liquido que esteja ao
seu alcance, inclusive sua própria urina, tornando-se
assim animais intranqüilos, parcialmente anoréticos
e podem perder peso.
Animais com DI central adquirido,
secundário a neoplasia da pituitária ou hipotalâmico em
processo de crescimento podem apresentar letargia, incoordenação,
convulsões, etc.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
O DI primário deve ser diferenciado
de varias outras causas de poliúria. Entre estas causas, varias são
facilmente diferenciáveis do DI de ocorrências naturais pela historia,
por exemplo, administração de cortisona ou um ataque recente de
uropatia obstrutiva.
Porem
um dos testes preferidos para o diagnóstico
de DI é o de privação de água.
Esse teste foi planejado para se determinar o ADH
endógeno é liberado em resposta a desidratação
e se o rim responde ao ADH. O teste é efetuado
dois estágios. O primeiro é de privação
abrupta de água, deixando os animais confinados
sem água nem alimento, pesando-o a cada 1-2
horas. Quando for verificada a perda de mais de 5
% do peso corporal, a bexiga deve ser completamente
esvaziada e a urina analisada para a densidade especifica.
A não concentração adequada da
urina indica que o animal sofre de DI central ou nefrogênico.
Em seguida
a privação de água, se o animal
não consegue concentrar a urina, administra-se
acetato de desmopressina, análogo da vasopressina.
Em seguida, são monitorizados os parâmetros
da capacidade de concentração da urina
a cada 2 horas, durante 6-10 horas. Um aumento na
osmolaridade urinaria após a administração
da vasopressina superior a 10 % é achado sugestivo
de DI central ou DI nefrogênico parcial. Um
aumento na osmolaridade inferior a 10 % e sugestivo
de DI nefrogênico completo ou polidipsia psicogênica.
TRATAMENTO:
Assim que o diagnóstico de
DI tenha ficado estabelecido, podemos instituir o tratamento especifico. Animais
com DI central são inicialmente tratados com preparação
de ADH de ação prolongada. Se o grau de poliúria permanece
inaceitável, o uso adicional de tratamento não hormonal pode ser
considerado. Cães e gatos com DI nefrogênica são resistentes
ao ADH, sendo assim não são candidatos à terapia hormonal.
Os diuréticos do grupo tiazidas constituem a principal forma de tratamento
para DI nefrogênico.
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