Introdução
A luxação patelar medial é uma causa freqüente
de claudicação em cães de raças pequenas, mas também
ocorre em cães de raças grandes (FOSSUM, 2002). A maioria das
luxações é classificada como congênita, pois ocorre
em animais jovens e não estão associadas a traumas (PIERMATTEI
e FLO, 1997). A disfunção dos membros pélvicos decorrente
da luxação medial de patela em cães de raças pequenas
e miniaturas é um dos problemas ortopédicos mais comuns na clínica
veterinária (MARIA, 2001). Em 75 a 80% dos casos de luxação
patelar, esta ocorre medialmente (LEIGHTON, 1994; PIERMATTEI e FLO, 1997). As
raças poodle "toy" e miniatura, yorkshire terrier, lulu da
pomerânia, boston terrier, pequinês, chiuahua e shiba são
as mais freqüentemente acometidas pela luxação patelar medial.
O risco de deslocamento patelar em cães de raças pequenas é
aproximadamente 12 vezes maior do que nas grandes (MARIA, 2001).
A ruptura simultânea do ligamento cruzado cranial está
presente em 15 a 20% dos joelhos de cães de média e avançada
idade com luxação patelar crônica. Nessa situação,
o ligamento cruzado cranial é colocado sob uma tensão aumentada
pela ineficiência do mecanismo do quadríceps em estabilizar a articulação.
O membro está rotado internamente, o que extende o ligamento cruzado
(PIERMATTEI e FLO, 1997). A maioria dos pacientes com luxação
patelar tem associado anormalidades músculo-esqueléticas como
deslocamento medial do grupo quadríceps, torção lateral
do fêmur distal, arqueamento lateral do terço distal do fêmur,
displasia epífiseal do fêmur, instabilidade rotacional da articulação
do joelho, ou deformidade tibial (FOSSUM, 2002). O fêmur distal varo determina
"genu varum" e luxação patelar medial. A torção
da diáfise da tíbia é também um componente da conformação
vara, e contribui diretamente para a luxação patelar medial, a
ruptura parcial ou completa do ligamento cruzado cranial e a artrose, em pacientes
mais velhos (NOGUEIRA, 2002).
Um método de classificação do grau de
luxação e de deformidade corporal é útil para o
diagnóstico e para decidir a técnica de correção
cirúrgica. Uma classificação foi criada por Putnam e adaptada
por Singleton (PIERMATTEI e FLO, 1997).
Na luxação patelar de grau 1, encontramos um
deslocamento patelar intermitente. A patela é facilmente luxada manualmente
na extensão total da articulação do joelho, mas retorna
para a tróclea quando liberada. Não há crepitação
aparente nesse grau de luxação. A flexão e a extensão
da articulação é normal. Na lesão de grau 2, os
sinais de claudicação são geralmente intermitentes e de
uma natureza amena. A patela pode ser manualmente luxada com pressão
lateral ou pode deslocar durante a extensão e flexão da articulação,
permanecendo luxada até que seja reposicionada pelo examinador, ou espontaneamente
quando o animal extende o membro. No grau 3, a patela permanece luxada a maior
parte do tempo, mas pode ser reposicionada manualmente com o joelho em extensão.
A flexão e extensão da articulação causa abdução
e adução da articulação tíbio tarsal. A tróclea
encontra-se muito rasa ou até mesmo plana. A tíbia apresenta uma
torção e um desvio de sua crista entre 30 e 60 graus no plano
cranio-caudal. Existe um deslocamento medial do grupo muscular quadríceps.
Na luxação de grau 4, a tíbia encontra-se medialmente deslocada
e a crista pode mostrar um desvio de 60 a 90 graus no plano cranio-caudal e
o grupamento muscular quadríceps encontra-se desviado medialmente. A
patela encontra-se permanentemente luxada e não pode ser manualmente
reposicionada. A tróclea encontra-se rasa, ausente ou até mesmo
convexa. Deformidades de fêmur e tíbia são marcantes (PIERMATTEI
e FLO, 1997; MARIA, 2001; FOSSUM, 2002; NOGUEIRA, 2002).
O diagnóstico da luxação patelar medial
é baseado nos sinais ou na tentativa de deslocar a patela do animal durante
o exame físico. Os sinais clínicos vão depender do grau
da luxação patelar, mas os mais comuns são a claudicação,
a relutância do animal em saltar, dor na articulação (FOSSUM,
2002). Na radiografia cranio-caudal e medial-lateral observa-se a patela luxada
medialmente nos graus 3 e 4, e pode ou não, constatar-se a patela luxada
medialmente nos graus 1 e 2. O exame radiográfico não é
necessário para se diagnosticar a luxação patelar medial,
sendo um exame complementar. Em estudos experimentais em cães, a tomografia
é o método mais preciso para mensurar o desvio da crista tibial,
mas não é necessária para o diagnóstico da doença
(MARIA, 2001; FOSSUM, 2002).
Segundo PIERMATTEI e FLO (1997), os sinais podem ficar mais
evidentes quando o animal ganha peso, quando ocorre erosão da cartilagem
articular, quando a luxação se torna permanente, quando há
ruptura do ligamento cruzado cranial ou quando ocorre luxação
da pelve.
A avaliação da instabilidade da articulação
fêmoro-tíbio-patelar é realizada com o paciente em decúbito
lateral. A extensão e flexão permitem identificar dor, crepitação,
sons anormais e deslocamento patelar. Uma das mãos é colocada
sobre a patela, enquanto a outra estabiliza a tíbia e move a articulação
em toda a sua amplitude de movimentos. A luxação espontânea
da patela é facilmente detectada (NOGUEIRA, 2002). Uma palpação
cuidadosa geralmente não ocasiona dor. Deve-se avaliar a articulação
a procura do movimento de gaveta para que seja descartada ou confirmada a ruptura
total ou parcial do ligamento cruzado cranial (PIERMATTEI e FLO, 1997; NOGUEIRA,
2002).
A correção da luxação medial de
patela pode ser feita por conduta conservativa ou cirúrgica, e a escolha
do melhor procedimento depende da história clínica, dos sinais
clínicos, da idade, do peso corpóreo, da presença de doença
degenerativa e do grau de luxação que o paciente apresenta (FOSSUM,
2002; MARIA, 2002). O tratamento conservativo é indicado em casos assintomáticos,
ou quando a doença é leve e intermitente. Esse tratamento consiste
na observação, administração de analgésicos
e antiinflamatórios não esteroidais e na administração
de precursores de glicosaminoglicanos (MARIA, 2002).
O tratamento cirúrgico, segundo FOSSUM (2002), é
indicado em pacientes que apresentem claudicações e também
em cães que ainda não fecharam as zonas fisárias de crescimento
ósseo, pelo fato da doença poder levar rapidamente a deformidades
ósseas.
Geralmente, uma combinação de técnicas
cirúrgicas é empregada para estabilizar a patela, e estas incluem
a reconstrução de tecido mole e ósseo (PIERMATTEI e FLO,
1997; FOSSUM, 2002; MARIA, 2002).
O acesso medial à articulação do joelho
é indicado em casos de reconstrução do ligamento cruzado
cranial e exploração da articulação, dentre outras
(PIERMATTEI e JOHNSON, 2004).
A incisão de pele inicia sobre a tuberosidade tibial,
medial ao ligamento patelar, continua proximalmente ao nível da patela
e depois seguindo a borda cranial do fêmur (PIERMATTEI e JOHNSON, 2004).
A artrotomia segue a mesma linha da incisão da pele. A porção
distal na fáscia medial é feita primeiramente com um bisturi,
começando contrariamente ao pólo distal da patela, poucos milímetros
medial ao ligamento patelar e continuando distalmente a tíbia. Uma lâmina
da tesoura é inserida dentro da articulação, então
a tesoura é avançada proximalmente, seccionando a cápsula
articular, a fibrocartilagem parapatelar medial, a fáscia medial, o músculo
vasto medial, e uma parte cranial do músculo sartório. A patela
pode ser luxada lateralmente (PIERMATTEI e JOHNSON, 2004).
A sulcoplastia troclear ou trocleoplastia abrasiva visa o aprofundamento
do sulco troclear removendo a cartilagem ao nível do osso subcondral,
para criar um sulco profundo o suficiente para prevenir a luxação
da patela. A largura e profundidade dessa nova fossa devem acomodar a largura
da patela e 50% da sua profundidade, e deve ser sem irregularidades. Um bisturi
é usado para marcar a largura do novo sulco. Então a cartilagem
articular e o osso subcondral são retirados. Isso pode ser feito cavando
a superfície convexa perpendicularmente com uma rugina. O sulco deve
ter um comprimento tal, que a patela permaneça dentro durante a flexão
e extensão do membro (PIERMATTEI e FLO, 1997; FOSSUM, 2002).
Quando a tuberosidade da tíbia está desviada,
uma reposição mais cranial ajuda a estabilizar a patela. A nova
posição da tuberosidade da tíbia deve ser alinhada ao sulco
troclear. Uma incisão é feita no periósteo, medialmente
ao longo da tuberosidade e crista tibial incluindo a inserção
distal. Para a osteotomia da tuberosidade, um osteótomo da largura da
tuberosidade deve ser utilizado. Após a liberação medial
e distal da tuberosidade, ela é colocada lateralmente, enquanto o músculo
tibial cranial é dissecado e rebatido do aspecto lateral da tíbia.
Para fixar a tuberosidade, o joelho é hiper-extendido, e o topo da tuberosidade
é colocado no ponto desejado e pressionado firmemente enquanto é
transfixado com um pino de Kirshner. O pino é dirigido em direção
caudomedial. O realinhamento é confirmado, e se satisfatório,
o pino é cortado 2 a 3 mm da tuberosidade. A síntese inicia com
a sutura da fáscia externa do músculo tibial cranial ao periósteo,
no aspecto medial da tíbia. A estabilidade da patela é verificada
(FOSSUM, 2002; PIERMATTEI e FLO, 1997).
A ruptura do ligamento cruzado cranial é uma afecção
ortopédica comum, e acomete principalmente cães das raças
de grande porte. Em geral, após a ruptura o ligamento não se regenera,
deixando de exercer sua função de limitar os movimentos da articulação
fêmoro-tíbio-patelar, o que leva a uma instabilidade e ao desenvolvimento
da doença articular degenerativa (MUZZI, 2003).
A luxação patelar simultânea é regularmente
encontrada em raças "toy" e miniatura de cães. Acredita-se
que nesses casos, a luxação da patela, provavelmente, é
a condição inicial e a ruptura do ligamento cruzado cranial ocorre
devido a uma instabilidade tibial produzida pela luxação da patela,
e subseqüente estiramento do ligamento (PIERMATTEI e FLO, 1997).
O ligamento cruzado cranial é divido em bandas craniomedial
e caudolateral, que têm diferentes inserções no platô
tibial. A função do ligamento é de limitar a rotação
interna da tíbia e o deslocamento cranial da tíbia em relação
ao fêmur (PIERMATTEI e FLO, 1997; FOSSUM, 2002). A lesão do ligamento
pode ser ruptura de completa, com uma grande instabilidade, ou uma ruptura parcial,
com uma instabilidade menor (PIERMATTEI e FLO, 1997).
O diagnóstico é baseado na demonstração
do movimento de gaveta, o qual deve ser testado com o membro em flexão,
em posicionamento normal, e também em extensão. O teste de gaveta
é utilizado para detectar a instabilidade caudocranial da tíbia,
que ocorre quando o ligamento cruzado cranial está rompido. Com o paciente
em decúbito lateral, segura-se a extremidade distal do fêmur com
uma mão, apoiando o dedo indicador sobre a patela e o dedo polegar sobre
a fabela lateral. Com a outra mão, segura-se a extremidade proximal da
tíbia, apoiando o dedo indicador sobre a tuberosidade tibial e o polegar
sobre a cabeça da fíbula. Enquanto o fêmur é mantido
estático, a tíbia é deslocada no sentido cranio-caudal,
obedecendo a uma direção paralela ao platô tibial. O teste
é considerado positivo quando o deslocamento cranio-caudal da tíbia
em relação ao fêmur for superior a 2 mm, podendo atingir
até 8 mm ou mais nos casos de maior instabilidade (PIERMATTEI e FLO,
1997; MUZZI, 2003).
Outro exame diagnóstico para a ruptura do ligamento
cruzado cranial descrito por FOSSUM (2002); NOGUEIRA (2002); MUZZI (2003), é
o teste da compressão tibial. O cão é posicionado em decúbito
lateral. Uma mão é posicionada na superfície cranial da
extremidade distal do fêmur, com o dedo indicador apoiado sobre a tuberosidade
tibial. Com a outra mão, a articulação tibio-társica
é suavemente flexionada. Quando o ligamento cruzado cranial estiver rompido,
a contração do músculo gastrocnêmio provocada pela
flexão da articulação irá promover um mecanismo
de compressão tibial, levando ao deslocamento cranial da tíbia
em relação ao fêmur. A tranquilização ou sedação,
segundo NOGUEIRA (2002), pode ser necessária para a realização
destes testes.
As radiografias são de pouco valor na ruptura típica
do ligamento cruzado cranial, a não ser pela demonstração
de osteoartrose presente. Quando forem feitas radiografias, as observações
deverão incluir presença de osteófitos na superfície
articular, sinal de gaveta cranial e avulsões (PIERMATTEI e FLO, 1997).
O tratamento cirúrgico é indicado em casos de
ruptura do ligamento cruzado cranial e é dividido em intracapsular e
extracapsular (FOSSUM, 2002).
Para realizar uma estabilização extracapsular
lateral do retináculo, seguindo o acesso medial à articulação
do joelho, é realizada uma incisão através do retináculo
lateral e da fáscia lata distal. Os resquícios do ligamento cruzado
cranial são removidos, e os meniscos são examinados (BOJRAB, 1998).
A sutura não absorvível de náilon é passada pela
agulha, e inserida ao redor da fabela lateral, no sentido proximal-distal. Um
orifício de diâmetro suficiente para a passagem da agulha é
feito na crista da tíbia, utilizando uma furadeira, no sentido medial-lateral
e o fio é passado através desse orifício na mesma direção.
O joelho é flexionado ao ângulo de estação, a tíbia
é segurada caudalmente e rotada externamente para anular o movimento
de gaveta, e as suturas são realizadas. Em adição a sutura
estabilizante, o retináculo lateral é avançado cranialmente
e caudalmente pela utilização de uma série de suturas imbricantes
verticais (FOSSUM, 2002). Distalmente, a cápsula articular e a fáscia
medial da articulação do joelho são reconstituídas
com fio absorvível, e um padrão de suturas interrompidas simples,
as quais devem ser colocadas apenas na camada fibrosa externa da cápsula
articular, para prevenir que os fios transfixem a membrana sinovial. Proximal
à patela, a porção cranial dos músculos sartório
e vasto medial são suturados com fio absorvível, e num padrão
contínuo simples. O tecido subcutâneo e a pele são suturados
rotineiramente. (PIERMATTEI e JOHNSON, 2004).
A injeção intra-articular de bupivacaína
é indicada para analgesia local em cirurgias de joelho. Esse tipo de
bloqueio promove analgesia pós-operatória durante até 24
horas sem apresentar reações adversas (MUIR III e HUBBEL, 2000).
As bandagens compressivas juntamente com restrição
de movimento são recomendadas para pacientes submetidos a intervenções
no joelho. O exercício deve ser reintroduzido gradativamente e se possível,
a fisioterapia deve ser instituída (PIERMATTEI e FLO 1997; FOSSUM, 2002).
Relato de caso
Um paciente da espécie canina, de nome Elise, raça
Poodle, pesando 9.350g, fêmea, com 8 anos de idade foi atendida no Hospital
Veterinário São Bernardo. Na anamnese o proprietário relatou
que o animal apresentava há algum tempo episódios intermitentes
de claudicação, o membro comprometido era sempre o pélvico
direito. O proprietário ainda comentou que no dia anterior, após
certo esforço, o animal vocalizou, demonstrando intensa dor e parou definitivamente
de apoiar o membro pélvico direito.
Ao exame físico o animal apresentava muita dor à
palpação da articulação do joelho e necessitou de
sedação para poder ser melhor examinado. Após a sedação,
para um exame ortopédico completo dos ossos e articulações,
utilizando uma associação anestésica (cetamina, xilazina
e midazolan), durante palpação das articulações
de ambos os joelhos constatou-se uma certa facilidade para deslocar a patela
do sulco patelar e o membro pélvico direito apresentava movimento de
gaveta cranial, indicando uma ruptura parcial ou total do ligamento cruzado
cranial.
O paciente foi então encaminhado
para radiografia, onde os dois membros foram avaliados,
em incidência ventro-dorsal. Enquanto o membro
esquerdo apresentava-se normal, no direito constatou-se
um desvio considerável da patela medialmente
(Fig 1) e observou-se osteófitos articulares
e contorno irregular da articulação,
indicando artrite e artrose. Juntamente com o exame
radiográfico foi colhido sangue para o hemograma
e um perfil bioquímico sérico incluindo
uréia, creatinina, fosfatase alcalina, ALT,
GGT, glicemia e proteínas totais, sendo que
estes parâmetros apresentaram-se sem alterações
significativas para a espécie. Foi iniciado
um tratamento com um antiinflamatório não
esteroidal a base de carprofeno a 4,4mg/kg SID PO
e também um regenerador articular com sulfato
de condroitina-A a 50 mg/kg SID PO, e sugerida a intervenção
cirúrgica.

Dois dias após a consulta o paciente retornou ao hospital
para a cirurgia, estando em jejum alimentar de 12 hs e hídrico de 8 hs.
Uma dose de 500mg de vitamina C foi aplicada por via IV e o paciente foi colocado
em monitorização cardíaca. A indução anestésica
foi feita utilizando uma associação de cetamina com diazepam,
IV, na dose de 10mg/kg e 0,5mg/kg respectivamente, para poder ser feita a entubação
traqueal para a manutenção anestésica, utilizando o anestésico
inalatório isofluorano, ainda foi administrado amoxicilina a 30mg/kg
SC e cefalotina sódica a 30mg/kg IV no momento da indução
e a cada hora do procedimento como antibióticos profiláticos.
Após a anti-sepsia, feita utilizando clorhexidine, a
cirurgia foi iniciada.
Utilizando-se o acesso medial à
articulação do joelho, após incisão
de pele e tecido subcutâneo (Fig 2), foi feita
a incisão no retináculo medial e logo
após a cápsula articular foi incisada,
expondo a articulação fêmoro-tíbio-patelar.
A patela, juntamente com o tendão patelar,
foi deslocada lateralmente e o membro foi flexionado
para poder ser feito o acesso e avaliação
do ligamento cruzado. Observou-se o ligamento totalmente
rompido (Fig 3), então foi feita a remoção
dos resquícios do ligamento cruzado cranial.


Notou-se um arrasamento importante do sulco da fossa patelar,
tornando-se quase plano, sendo necessária a
trocleoplastia abrasiva (Fig 4, 5 e 6) para o aprofundamento
do sulco patelar.



O acesso a fabela lateral (Fig 7) foi feito, visando utilizar a técnica
da fixação extracapsular do retináculo
lateral utilizando sutura não absorvível
de náilon. Diferindo das técnicas de rotina,
foram feitos dois orifícios na tuberosidade tibial
(Fig 8), para a passagem do fio, ao invés de
apenas um orifício. Foi então feita a
passagem do fio de náilon 0,70mm por trás
da fabela lateral, ancorando firmemente o mesmo (Fig
9). Então o fio foi avançado, passado
e direcionado primeiramente, pelo orifício proximal
e depois pelo distal.





Após a passagem do fio de náilon pelos orifícios proximal
e distal (Fig 10 e 11), foi realizada a transposição
da crista da tíbia lateralmente e mais distal
em relação a sua posição
original, devido a uma lassitude presente no tendão
patelar, utilizando um pino (fio) de Kirschner de número
3 (Fig 12).
.
Utilizando um fio absorvível monofilamentar, de espessura 2-0, foi iniciada
a sutura da cápsula articular, no padrão
Cushing não transfixante (Fig 13).

Com as pontas do fio de náilon reparadas, foi iniciado o nó. Optando-se
pelo nó quadrado ou "Square Knot" (Fig
14), onde após o primeiro tempo, foi realizado
um sobrenó sem apertar o primeiro, o nó
é dado segurando uma parte e deslizando a outra.
O resultado é um nó não deslizante
e bem tencionado.
Praticamente ao finalizar a intervenção, ainda
foi realizado o imbricamento capsular lateral, para fornecer uma estabilização
articular. Nessa técnica, foi utilizado fio absorvível monofilamentar
2-0, e um padrão de sutura de Wolff (Fig 15), favorecendo uma eversão
da cápsula articular.


Por fim foi feita a sutura de Cushing no tecido subcutâneo (Fig 16), utilizando
fio absorvível monofilamentar 3-0. Na pele foi
utilizada cola a base de alfacianoacrilato e polimetacrilato
para a síntese.


No pós-operatório imediato
foi realizado o teste de gaveta e o resultado foi
negativo. Foram ainda administrados 2ml de regenerador
articular (Rumalonâ
) (Fig 17) e Bupivacaína intra-articular e
cloridrato de tramadol SC como agente analgésico.
Foi prescrito 15 dias de administração
de enrofloxacina na dose de 2,5mg/kg/SID , carprofeno
a 2,2mg/kg/BID durante 14 dias e ácido ascórbico
500mg/SID durante 30 dias .

O paciente retornou para revisão
19 dias após a cirurgia, apoiando o membro
operado e sem apresentar movimento de gaveta.
Discussão e Conclusões
O correto diagnóstico da luxação
patelar medial e da ruptura do ligamento cruzado cranial
foi de essencial importância para a decisão
das técnicas que foram utilizadas para a resolução
desse caso (FOSSUM, 2002).
Segundo PIERMATTEI e JOHNSON (2004), o acesso medial
é preferível, quando possível,
por permitir adequada exposição articular.
As anormalidades da articulação fêmoro-tíbio-patelar
aumentam com a idade do animal e o grau de luxação.
Assim a correção cirúrgica, quando
indicada, deve ser realizada logo após o diagnóstico
(MARIA, 2001).
As manobras ortopédicas citadas por NOGUEIRA
(2002); MUZZI (2003), foram corretamente utilizadas
e através delas é que foi possível
chegar ao diagnóstico deste animal.
Os procedimentos utilizados para a redução
da luxação patelar no animal descrito,
foram o de trocleoplastia abrasiva, e de transposição
da crista da tíbia, e apresentaram os resultados
esperados, estabilizando a patela na nova fossa troclear,
conforme descrevem PIERMATTEI e FLO, 1997.
As técnicas utilizadas, neste paciente, para
a correção da ruptura do ligamento cruzado
cranial foram as de imbricamento lateral da cápsula
articular, e de estabilização extra-articular
lateral modificada, pela utilização
de dois orifícios na tuberosidade da tíbia
ao invés de apenas um, como descrito na técnica
original (FOSSUM, 2002). Esses procedimentos se mostraram
eficientes na função de anular as forças
que atuam sobre o ligamento cruzado cranial, eliminando
o sinal de gaveta no pós-operatório
imediato e com 19 dias de pós-operatório.
Segundo MUIR III e HUBBEL (2000), a utilização
de uma analgesia a base de bupivacaína intra-articular
foi de extrema importância pois o paciente permaneceu
tranqüilo no período pós-operatório.
Pela recuperação do paciente pode-se
afirmar que os procedimentos cirúrgicos obtiveram
o sucesso desejado, conforme FOSSUM (2002); PIERMATTEI
e FLO (1997).
Caso acompanhado
durante estágio curricular do agora Médico
Veterinário Alison Muriel Festa, no Hospital
Veterinário São Bernardo no período
de agosto a novembro de 2004.
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