Dr. João Alfredo Kleiner - DVM, MSc.
 
..Curitiba, 23-Jan-2006 14:21
: : Procedimentos Diagnóstico :


Diversos procedimentos permitem ao clínico estabelecer um diagnóstico preciso das afecções que afetam o sistema de drenagem lacrimal e que originam a epífora.

Dentre estes podemos citar o teste de Schirmer, citologia e cultura, teste de passagem da fluoresceína, a lavagem nasolacrimal com solução fisiológica e a canulação.

O teste de Schirmer deve ser o primeiro teste a ser feito na avaliação de um paciente com suspeita de epífora.

O teste é realizado utilizando-se uma tira de papel absorvente padronizada (Whatman paper 41) de 5 x 35 mm colocada no fundo de saco conjuntival. Após 1 minuto mede-se, em milímetros, a umidificação da tira.

Existem três modos diferentes de realizar-se este teste.

No Schirmer I utiliza-se apenas a tira de papel, sem a utilização prévia de colírios de anestésicos locais, temos assim o valor da secreção lacrimal reflexa e basal.

No Schirmer II utiliza-se anestésico tópico em forma de colírio antes da mensuração lacrimal, sendo assim, teremos o valor da secreção lacrimal basal.

No Schirmer III o paciente é submetido a anestesia geral com isoflurano/oxigênio como precaução para minimizar-se os efeitos do estresse sobre a produção lacrimal. Este procedimento é mais usado para mensuração lacrimal em passariformes.

O valor considerado normal para produção lacrimal é de 15 a 22 mm. Se o resultado do teste de Schirmer exceder 25 mm, existe a presença de lacrimejamento ocular e uma causa irritativa deve ser pesquisada (BERGER, 1998).

No exame citológico é realizado com material coletado da expressão das “punctas” e canalículos, fístulas faciais ou após lavagem do aparato de drenagem lacrimal e antes da utilização de corantes ou colírios anestésicos locais.

Dentre as bactérias oportunistas coletadas de animais com dacriocistite destacam-se o Stafilococcus sp., Proteus sp. e Escherichia sp. (LAVACH, 1984).

Com o teste de passagem da fluoresceína pode-se avaliar tanto a patência anatômica quanto a fisiológica do sistema nasolacrimal. A fluoresceína instilada nos olhos entra pelos pontos lacrimais (principalmente o inferior) passa pelo ducto nasolacrimal e aparece nas narinas, em pacientes normais, em 2 a 5 minutos.

Nos animais braquicefálicos pode-se notar o aparecimento do corante na região da nasofaringe.

Se após este teste inicial obtivermos um atraso na drenagem do corante (tempo maior que 5 minutos) ou o não aparecimento e identificação do mesmo, o sistema nasolacrimal deve ser lavado utilizando-se solução fisiológica.

A “puncta” inferior ou superior é canulada utilizando-se uma agulha 20 ou 22G com o bisel arredondado (atraumático) e utiliza-se 1 a 3 ml de solução salina estéril. A solução salina deve sair pelas narinas ou nasofaringe.

CAMPBELL (1964), YAKELY (1971), GELATT (1972), TICER (1975), BECKMAN (1987) descreveram a técnica de dacriocistorrinografia para visualização do sistema excretor lacrimal através da utilização de contraste aquoso (Renografin-76 ou Hypaque-75) ou oleoso.

As técnicas para o tratamento e controle da epífora consistem no restabelecimento do fluxo lacrimal normal por meio de lavagem e remoção de corpos estranhos e debris ou o estabelecimento de um novo trajeto de drenagem para o filme lacrimal.

SEVERIN (1972) recomendou a cateterização do ducto nasolacrimal para o tratamento de obstruções adquiridas e dacriocistites, onde utilizava tubos de retenção de polietileno os quais permaneciam no paciente por três semanas.

LAING (1988) e SLATTER (1996) descreveram a técnica de dacriocistotomia com o emprego de brocas pérfuro-cortantes, trépanos, trefinas para ganhar acesso ao saco lacrimal através da perfuração do osso lacrimal e com posterior lavagem e retirada de debris e/ou corpos estranhos que porventura lá estivessem localizados. Após o procedimento a “puncta” inferior é canulada com um cateter de polietileno, o qual permanece no local por 4 meses.

LESCURE (1984), SLATTER (1985) e LAFORGE (1992) descreveram as técnicas de conjuntivobucostomia e conjuntivorralostomia. No caso da primeira, um canal de comunicação é criado do fórnix conjuntival nasal até a cavidade oral, na região compreendida entre o lábio superior e os dentes molares.

No segundo procedimento, o trajeto do canal é direcionado à região de transição do pálato mole com o duro.

Em ambos os procedimentos utiliza-se uma sonda de polietileno que permanece no local da tunelização por até 40 dias.

COVITZ (1977) descreveu a técnica da conjuntivorrinostomia onde uma comunicação é feita do fundo do saco conjuntival medial até a cavidade nasal e é mantida canulada com tubo plástico até que a cicatrização ocorra.

GELATT (2001) mencionou a técnica de conjuntivo-maxilo sinosotomia, que se trata de um método desenvolvido para cães e que consiste na construção de um túnel, feito de mucosa oral medindo 15 x 20 mm e que se estende do fundo de saco conjuntival medial, através do tecido muscular-subcutâneo, até a região do seio maxilar.

A maioria das complicações pós-operatórias destes procedimentos são a estenose cicatricial, fístulas por infecções resistentes e epífora secundária recorrente (GELATT, 1998).

FEDERMANN (1997) destacou que a complicação peroperatória temida é a hemorragia, sobretudo em pacientes com história de uso crônico de anti-inflamatório não esteroidal.
A fim de evitar-se a estenose cicatricial na cirurgia filtrante do glaucoma em cão, WOUK et al (1999) utilizaram topicamente ácido salicílico, considerando suas propriedades antifibrótica e antiinflamatória.

O estabelecimento de técnicas cirúrgicas para o tratamento das obstruções das vias lacrimais tem sido objeto de estudo mais freqüente em medicina humana do que em medicina veterinária.

A despeito de algumas técnicas cirúrgicas utilizadas no tratamento das obstruções do sistema de drenagem lacrimal encontrarem-se bem descritas em Medicina Veterinária e existirem indicações formais para o seu emprego, elas são pouco realizadas. Tal fato, talvez, deva-se ao grau de complexidade de alguns procedimentos.

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