Diversos procedimentos permitem ao
clínico
estabelecer um diagnóstico preciso das afecções
que afetam o sistema de drenagem lacrimal e que originam
a epífora.
Dentre estes podemos citar o teste de Schirmer,
citologia e cultura, teste de passagem da fluoresceína,
a lavagem nasolacrimal com solução
fisiológica e a canulação.
O teste de Schirmer deve ser o primeiro teste a
ser feito na avaliação de um paciente
com suspeita de epífora.
O teste é realizado utilizando-se uma tira
de papel absorvente padronizada (Whatman paper 41)
de 5 x 35 mm colocada no fundo de saco conjuntival.
Após 1 minuto mede-se, em milímetros,
a umidificação da tira.
Existem três modos diferentes de realizar-se
este teste.
No Schirmer I utiliza-se apenas a tira de papel,
sem a utilização prévia de colírios
de anestésicos locais, temos assim o valor
da secreção lacrimal reflexa e basal.
No Schirmer II utiliza-se anestésico tópico
em forma de colírio antes da mensuração
lacrimal, sendo assim, teremos o valor da secreção
lacrimal basal.
No Schirmer III o paciente é submetido a
anestesia geral com isoflurano/oxigênio como
precaução para minimizar-se os efeitos
do estresse sobre a produção lacrimal.
Este procedimento é mais usado para mensuração
lacrimal em passariformes.
O valor considerado normal para produção
lacrimal é de 15 a 22 mm. Se o resultado do
teste de Schirmer exceder 25 mm, existe a presença
de lacrimejamento ocular e uma causa irritativa deve
ser pesquisada (BERGER, 1998).
No exame citológico é realizado com
material coletado da expressão das “punctas” e
canalículos, fístulas faciais ou após
lavagem do aparato de drenagem lacrimal e antes da
utilização de corantes ou colírios
anestésicos locais.
Dentre as bactérias oportunistas coletadas
de animais com dacriocistite destacam-se o Stafilococcus
sp., Proteus sp. e Escherichia sp. (LAVACH, 1984).
Com o teste de passagem da fluoresceína pode-se
avaliar tanto a patência anatômica quanto
a fisiológica do sistema nasolacrimal. A fluoresceína
instilada nos olhos entra pelos pontos lacrimais
(principalmente o inferior) passa pelo ducto nasolacrimal
e aparece nas narinas, em pacientes normais, em 2
a 5 minutos.
Nos animais braquicefálicos pode-se notar
o aparecimento do corante na região da nasofaringe.
Se após este teste inicial obtivermos um
atraso na drenagem do corante (tempo maior que 5
minutos) ou o não aparecimento e identificação
do mesmo, o sistema nasolacrimal deve ser lavado
utilizando-se solução fisiológica.
A “puncta” inferior ou superior é canulada
utilizando-se uma agulha 20 ou 22G com o bisel arredondado
(atraumático) e utiliza-se 1 a 3 ml de solução
salina estéril. A solução salina
deve sair pelas narinas ou nasofaringe.
CAMPBELL (1964), YAKELY (1971), GELATT (1972), TICER
(1975), BECKMAN (1987) descreveram a técnica
de dacriocistorrinografia para visualização
do sistema excretor lacrimal através da utilização
de contraste aquoso (Renografin-76 ou Hypaque-75)
ou oleoso.
As técnicas para o tratamento e controle
da epífora consistem no restabelecimento do
fluxo lacrimal normal por meio de lavagem e remoção
de corpos estranhos e debris ou o estabelecimento
de um novo trajeto de drenagem para o filme lacrimal.
SEVERIN (1972) recomendou a cateterização
do ducto nasolacrimal para o tratamento de obstruções
adquiridas e dacriocistites, onde utilizava tubos
de retenção de polietileno os quais
permaneciam no paciente por três semanas.
LAING (1988) e SLATTER (1996) descreveram a técnica
de dacriocistotomia com o emprego de brocas pérfuro-cortantes,
trépanos, trefinas para ganhar acesso ao saco
lacrimal através da perfuração
do osso lacrimal e com posterior lavagem e retirada
de debris e/ou corpos estranhos que porventura lá estivessem
localizados. Após o procedimento a “puncta” inferior é canulada
com um cateter de polietileno, o qual permanece no
local por 4 meses.
LESCURE (1984), SLATTER (1985) e LAFORGE (1992)
descreveram as técnicas de conjuntivobucostomia
e conjuntivorralostomia. No caso da primeira, um
canal de comunicação é criado
do fórnix conjuntival nasal até a cavidade
oral, na região compreendida entre o lábio
superior e os dentes molares.
No segundo procedimento, o trajeto do canal é direcionado à região
de transição do pálato mole
com o duro.
Em ambos os procedimentos utiliza-se uma sonda de
polietileno que permanece no local da tunelização
por até 40 dias.
COVITZ (1977) descreveu a técnica da conjuntivorrinostomia
onde uma comunicação é feita
do fundo do saco conjuntival medial até a
cavidade nasal e é mantida canulada com tubo
plástico até que a cicatrização
ocorra.
GELATT (2001) mencionou a técnica de conjuntivo-maxilo
sinosotomia, que se trata de um método desenvolvido
para cães e que consiste na construção
de um túnel, feito de mucosa oral medindo
15 x 20 mm e que se estende do fundo de saco conjuntival
medial, através do tecido muscular-subcutâneo,
até a região do seio maxilar.
A maioria das complicações pós-operatórias
destes procedimentos são a estenose cicatricial,
fístulas por infecções resistentes
e epífora secundária recorrente (GELATT,
1998).
FEDERMANN (1997) destacou que a complicação
peroperatória temida é a hemorragia,
sobretudo em pacientes com história de uso
crônico de anti-inflamatório não
esteroidal.
A fim de evitar-se a estenose cicatricial na cirurgia filtrante do glaucoma
em cão, WOUK et al (1999) utilizaram topicamente ácido salicílico,
considerando suas propriedades antifibrótica e antiinflamatória.
O estabelecimento de técnicas cirúrgicas
para o tratamento das obstruções das
vias lacrimais tem sido objeto de estudo mais freqüente
em medicina humana do que em medicina veterinária.
A despeito de algumas técnicas cirúrgicas
utilizadas no tratamento das obstruções
do sistema de drenagem lacrimal encontrarem-se bem
descritas em Medicina Veterinária e existirem
indicações formais para o seu emprego,
elas são pouco realizadas. Tal fato, talvez,
deva-se ao grau de complexidade de alguns procedimentos.
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