No estudo dos aspectos macroscópicos e topográficos
do sistema de drenagem lacrimal nas três peças
anatômicas de cães (Figuras 1 a 4) demonstrou
uma significante variação nas três
raças examinadas (São Bernardo, Cocker
Spaniel e Boxer).
O látex misturado ao corante azul (Figura
1) demonstrou-se excelente para a fixação
e delimitação do trajeto do sistema
excretor lacrimal, o que facilitou em muito e seu
estudo anatômico e topográfico.
Pode-se notar um importante estreitamento apresentado
pelos canalículos superior e inferior quando
formam o saco lacrimal na sua passagem pela fossa
lacrimal e pelo osso lacrimal, evidenciando-se, assim,
o local de predileção a obstruções
por corpos estranhos.
No cão da raça Boxer (Figura 4), pode-se
claramente observar a tortuosidade apresentada pelo
ducto nasolacrimal desde a sua origem no afunilamento
do saco lacrimal até a “puncta” nasal ventral

Figura 1: Corte de peça anatômica
de um cão da raça São Bernardo
mostrando a disposição dos canalículos
lacrimais superior (seta amarela), inferior (seta
branca) e saco lacrimal (seta verde) após
seu preenchimento com látex .

Figura 2: Peça anatômica
de um cão São Bernardo mostrando a
saída do ducto nasolacrimal (puncta nasal)
na região do meato naso-ventral.

Figura 3: Peça anatômica
de um cão da raça Cocker Spaniel mostrando
ao término do saco lacrimal (seta amarela)
e início do ducto nasolacrimal (seta branca)
na sua passagem pela superfície medial do
osso maxilar.

Figura 4: Peça anatômica
de um cão da raça Boxer (após
injetado látex com corante azul) mostrando
a tortuosidade do ducto nasolacrimal.
Com aprimoramento da técnica de dacriocistorrinografia
puderam-se obter imagens importantes do trajeto percorrido
pelo sistema de drenagem lacrimal bem como as variações
anatômicas apresentadas nas diferentes raças.
Com o uso da lágrima artificial misturada
ao contraste iodado, obteve-se um maior tempo de
permanência do meio de contraste no sistema
nasolacrimal, facilitando a realização
do exame radiográfico.
O uso da fluoresceína foi de extrema importância
para evitar-se um acúmulo muito grande de
contraste nas vias aéreas, considerando que
esta facilitou a imediata visualização
da passagem do meio de contraste e ajudou na determinação
do momento exato de acionar-se o aparelho de raio-x.
Após exaustivos testes, pôde-se chegar
a conclusão de que a angulação
da cabeça mais indicada para a realização
do exame radiográfico é a de 300. Com
esta angulação, não se tem uma
sobreposição das estruturas ósseas
e as imagens obtidas tornam-se muito mais claras.
Em alguns cães pode-se notar uma variação na posição
da segunda abertura do ducto nasolacrimal na mucosa oral. Normalmente ela está localizada
no centro do palato duro (Figura 7), atrás dos incisivos superiores
e ao nível dos dentes caninos, mas em alguns casos também pode
estar localizada mais caudalmente, chegando às vezes até a transição
do palato duro com o mole (Figura 8).
Em um cão da raça Pastor Alemão
observou-se a presença de uma dilatação
cística do saco lacrimal (Figura 10).
Nos pacientes em que foi utilizado o filme para
mamografia (MIN-R, KODAK?), as imagens obtidas eram
muito mais nítidas (Figura 8) comparando-se
aos filmes convencionais. Existe um grande detalhamento
das trabéculas ósseas adjacentes ao
trajeto do ducto nasolacrimal, o que proporciona
um bom contraste entre as diferentes estruturas e
um melhor delineamento do trajeto percorrido pelo
sistema de drenagem lacrimal.
A dacriocistorrinografia em gatos (Figura 6) é mais
difícil de ser realizada que nos cães,
levando-se em consideração que nos
felinos, principalmente os de raças braquicefálicas,
o sistema de drenagem lacrimal possui dimensões
muito menores e a passagem do contraste do olho em
direção as narinas ocorre de uma maneira
muito rápida.
É importante utilizar-se uma seringa de insulina
para injetar-se o contraste na “puncta” canulada
para evitar-se um alagamento das vias aéreas
superiores, o que prejudicará a leitura das
radiografias obtidas e às vezes mascarar a
presença de certas patologias.

Figura 5: Material para dacriocistorrinografia.
Da esquerda para direita: Contraste iodado, lágrima
artificial, bastão de fluoresceína,
seringa de 5ml e cateter tipo Insyte

Figura 6: Dacriocistorrinografia
de um felino doméstico demonstrando o ducto
nasolacrimal (seta verde) e sua saída na região
da nasofaringe (seta branca).

Figura 7: Dacriocistorrinografia de um cão
da raça Poodle Toy. Pode-se notar o trajeto
percorrido pelo sistema de drenagem lacrimal e uma
segunda abertura na região central do palato
duro (seta).

Figura 8: Radiografia de um cão
Cocker Spaniel utilizando-se filme para mamografia
(MIN-R, Kodak?). Nota-se a variação
de posição da abertura do ducto nasolacrimal
na mucosa oral (transição do palato
duro com o mole).

Figura 9: Dacriocistorrinografia
em um cão da raça Boxer demonstrando
a tortuosidade característica do ducto nasolacrimal
apresentada pelos animais braquicefálicos.

Figura 10: Radiografia de um cão
da raça Pastor Alemão apresentando
dilatação cística do saco lacrimal.
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