Dr. João Alfredo Kleiner - DVM, MSc.
 
..Curitiba, 23-Jan-2006 14:22
: : Resultados :

No estudo dos aspectos macroscópicos e topográficos do sistema de drenagem lacrimal nas três peças anatômicas de cães (Figuras 1 a 4) demonstrou uma significante variação nas três raças examinadas (São Bernardo, Cocker Spaniel e Boxer).

O látex misturado ao corante azul (Figura 1) demonstrou-se excelente para a fixação e delimitação do trajeto do sistema excretor lacrimal, o que facilitou em muito e seu estudo anatômico e topográfico.

Pode-se notar um importante estreitamento apresentado pelos canalículos superior e inferior quando formam o saco lacrimal na sua passagem pela fossa lacrimal e pelo osso lacrimal, evidenciando-se, assim, o local de predileção a obstruções por corpos estranhos.

No cão da raça Boxer (Figura 4), pode-se claramente observar a tortuosidade apresentada pelo ducto nasolacrimal desde a sua origem no afunilamento do saco lacrimal até a “puncta” nasal ventral

Figura 1: Corte de peça anatômica de um cão da raça São Bernardo mostrando a disposição dos canalículos lacrimais superior (seta amarela), inferior (seta branca) e saco lacrimal (seta verde) após seu preenchimento com látex .

Figura 2: Peça anatômica de um cão São Bernardo mostrando a saída do ducto nasolacrimal (puncta nasal) na região do meato naso-ventral.

Figura 3: Peça anatômica de um cão da raça Cocker Spaniel mostrando ao término do saco lacrimal (seta amarela) e início do ducto nasolacrimal (seta branca) na sua passagem pela superfície medial do osso maxilar.

Figura 4: Peça anatômica de um cão da raça Boxer (após injetado látex com corante azul) mostrando a tortuosidade do ducto nasolacrimal.

Com aprimoramento da técnica de dacriocistorrinografia puderam-se obter imagens importantes do trajeto percorrido pelo sistema de drenagem lacrimal bem como as variações anatômicas apresentadas nas diferentes raças.

Com o uso da lágrima artificial misturada ao contraste iodado, obteve-se um maior tempo de permanência do meio de contraste no sistema nasolacrimal, facilitando a realização do exame radiográfico.

O uso da fluoresceína foi de extrema importância para evitar-se um acúmulo muito grande de contraste nas vias aéreas, considerando que esta facilitou a imediata visualização da passagem do meio de contraste e ajudou na determinação do momento exato de acionar-se o aparelho de raio-x.

Após exaustivos testes, pôde-se chegar a conclusão de que a angulação da cabeça mais indicada para a realização do exame radiográfico é a de 300. Com esta angulação, não se tem uma sobreposição das estruturas ósseas e as imagens obtidas tornam-se muito mais claras.
Em alguns cães pode-se notar uma variação na posição da segunda abertura do ducto nasolacrimal na mucosa oral. Normalmente ela está localizada no centro do palato duro (Figura 7), atrás dos incisivos superiores e ao nível dos dentes caninos, mas em alguns casos também pode estar localizada mais caudalmente, chegando às vezes até a transição do palato duro com o mole (Figura 8).

Em um cão da raça Pastor Alemão observou-se a presença de uma dilatação cística do saco lacrimal (Figura 10).

Nos pacientes em que foi utilizado o filme para mamografia (MIN-R, KODAK?), as imagens obtidas eram muito mais nítidas (Figura 8) comparando-se aos filmes convencionais. Existe um grande detalhamento das trabéculas ósseas adjacentes ao trajeto do ducto nasolacrimal, o que proporciona um bom contraste entre as diferentes estruturas e um melhor delineamento do trajeto percorrido pelo sistema de drenagem lacrimal.

A dacriocistorrinografia em gatos (Figura 6) é mais difícil de ser realizada que nos cães, levando-se em consideração que nos felinos, principalmente os de raças braquicefálicas, o sistema de drenagem lacrimal possui dimensões muito menores e a passagem do contraste do olho em direção as narinas ocorre de uma maneira muito rápida.

É importante utilizar-se uma seringa de insulina para injetar-se o contraste na “puncta” canulada para evitar-se um alagamento das vias aéreas superiores, o que prejudicará a leitura das radiografias obtidas e às vezes mascarar a presença de certas patologias.

Figura 5: Material para dacriocistorrinografia. Da esquerda para direita: Contraste iodado, lágrima artificial, bastão de fluoresceína, seringa de 5ml e cateter tipo Insyte

Figura 6: Dacriocistorrinografia de um felino doméstico demonstrando o ducto nasolacrimal (seta verde) e sua saída na região da nasofaringe (seta branca).

Figura 7: Dacriocistorrinografia de um cão da raça Poodle Toy. Pode-se notar o trajeto percorrido pelo sistema de drenagem lacrimal e uma segunda abertura na região central do palato duro (seta).

Figura 8: Radiografia de um cão Cocker Spaniel utilizando-se filme para mamografia (MIN-R, Kodak?). Nota-se a variação de posição da abertura do ducto nasolacrimal na mucosa oral (transição do palato duro com o mole).

Figura 9: Dacriocistorrinografia em um cão da raça Boxer demonstrando a tortuosidade característica do ducto nasolacrimal apresentada pelos animais braquicefálicos.

Figura 10: Radiografia de um cão da raça Pastor Alemão apresentando dilatação cística do saco lacrimal.

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